DEDO NA FERIDA de Silvio Tendler tem pré-estreia no Cine Cultura

31 . maio . 2018



Em tempos sombrios, em que o mundo se depara com a perda progressiva de direitos sociais e com o ressurgimento de movimentos de extrema-direita, o documentário “Dedo na Ferida”, dirigido pelo cineasta Silvio Tendler, se afirma como um filme incomodamente atual. Com a precisão de um olhar lapidado em mais de 80 obras de cunho histórico e social, o diretor trata do fim do estado de bem-estar social e da interrupção dos sonhos de uma vida melhor para todos, em uma conjuntura onde a lógica homicida do capital financeiro inviabiliza qualquer alternativa de justiça social.

Para traçar um panorama do cenário contemporâneo, entrevistamos Yanis Varoufakis, ex-ministro das Finanças da Grécia; Celso Amorim, ex-ministro das Relações Exteriores do Brasil; Paulo Nogueira Batista Jr, vice-presidente dos banco dos Brics; o cineasta Costa-Gavras; os intelectuais Boaventura de Sousa Santos (Universidade de Coimbra, Portugal), David Harvey (University of New York, Estados Unidos) e Maria José Fariñas Dulce (Universidade Carlos III, Espanha); os economistas Ladislau Dawbor (PUC-São Paulo), Guilherme Mello (Unicamp) e Laura Carvalho (USP), entre outros pensadores que interferem no mundo contemporâneo.

Em nome dos interesses do grande capital internacional, um pequeno grupo comanda o destino dos recursos do planeta. Para o 1% mais rico da população, uma crise nunca deve ser desperdiçada. Quebras de bolsas de valores, estouro de bolhas especulativas e a bancarrota de países que levam famílias para linha da miséria viram uma oportunidade para aumentar o seu capital, seu poder e sua influência. Eles são os donos do poder. 65 famílias têm, aproximadamente, a mesma riqueza que metade da população mundial. Bancos, seguradoras, fundos de investimento e elites econômicas navegam em uma esfera onde taxas de juros e dívidas de governos são a moeda mais forte.

“Dedo na Ferida” discute o retrocesso ideológico a posições neoconservadoras pautado pelo empobrecimento da classe média, pela falência dos Estados e pelo desemprego. Examina de que forma o capitalismo deixou de ser produtivo para se tornar meramente especulativo, motivado pela aposta na geração de dinheiro fácil. O sistema financeiro, que deveria servir ao propósito de levar recursos dos setores superavitários para os deficitários interessados em investir em produção, abandonou o papel de “atravessador” e se assumiu como fim principal das transações econômicas.

Os governos nacionais perdem autonomia e passam a lutar contra massas de capital que circulam livremente pelo globo. Grécia, Espanha, Portugal, Brasil e tantas outras nações veem seus destinos definidos pelos interesses da esfera financeira. Grandes corporações, que, por vezes, detém orçamentos mais robustos do que o de alguns Estados, atuam como um “governo sombra”, guiando políticas públicas que favorecem à maximização de seus lucros. 

Consideradas importantes demais para falir, grandes corporações envolvidas diretamente na crise que atingiu o sistema econômico internacional em 2008 não foram responsabilizadas pelo estrago causado na economia produtiva. Operando dentro da lei e socorridas com dinheiro público, seguem acumulando um capital volátil, transnacional, pouco produtivo e guardado em paraísos fiscais. E elas estão prontas para lucrar na próxima crise.

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Entrevistas:

Yanis Varoufakis
Ex-ministro das Finanças, Grécia

Costa-Gavras
Cineasta, Grécia/França

Celso Amorim
Ex-ministro das Relações Exteriores, Brasil

Paulo Nogueira Batista Jr.
Vice-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento –Brics, Brasil

Boaventura de Souza Santos
Professor de Sociologia da Universidade de Coimbra , Portugal

David Harvey
Professor de Antropologia e Geografia da Universidade de Nova Iorque , Estados Unidos

Maria José Fariñas Dulce
Professor a de Filosofia do Direito da Universidade Carlos III , Espanha

Ladislau Dowbor
Professor Titular de Economia da PUC-São Paulo, Brasil

Gianni Tognoni
Secretário Geral do Tribunal Permanente dos Povos, Itália

Oscar Oliveira
Sindicalista, liderança contra privatização da água, Bolívia

Laura Carvalho
Professora de Economia, Universidade de São Paulo, Brasil

Guilherme Mello
Professor de Economia, Unicamp, Brasil

Bruno W. Medsta
Diretor de Teatro, Brasil

Raquel Rolnik
Professora de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, Brasil

Anderson Marinho Ribeiro
Podólogo, Brasil

Luis Nassif
Jornalista Econômico, Brasil

> SESSÃO DIA 6 DE JUNHO, ÀS 20h15, SEGUIDA DE DEBATE COM O DIRETOR SILVIO TENDLER.